O que matou os peixes? Laudo aponta combinação fatal por trás da morte de milhares de animais em SC
21/04/2026
(Foto: Reprodução) Relatório expõe combinação por trás de mortes de milhares de peixes em rio de SC
O aparecimento de milhares de peixes mortos no Rio Imaruim, que corta a cidade de Palhoça, na Grande Florianópolis, nos primeiros meses do ano, foi resultado de uma combinação de fatores ambientais, como água ácida e baixa concentração de oxigênio.
A conclusão é de um laudo da Polícia Militar Ambiental (PMA), divulgado na segunda-feira (20), que considera que a situação pode ter se agravado devido à ação humana (veja mais abaixo).
O caso ganhou repercussão após moradores se assustarem ao flagrarem cardumes inteiros boiando na água, em fevereiro.
✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp
O laudo foi elaborado com base em análises microbiológicas, físico-químicas e na identificação de compostos potencialmente associados à contaminação da água. Os dados foram obtidos a partir de amostras coletadas no local durante fiscalização ambiental, segundo o órgão.
O número de peixes mortos não foi divulgado. Em fevereiro, o IMA informou que fazia um balanço da quantidade de animais encontrados. Todos são da espécie Manjubinha (Cetengraulis edentulus).
O g1 procurou a prefeitura de Palhoça, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.
Imagens mostram situação no rio Imaruim, em Palhoça
Juan Todescatt/NSC TV
Combinação de fatores
Segundo o laudo, não houve uma causa única, mas sim uma combinação de fatores ambientais e antrópicos que levou à mortandade dos peixes.
Os principais fatores que atuaram juntos foram:
Água ácida (pH 4,9) - compromete a fisiologia dos peixes;
Temperatura elevada da água (28,6 °C) - reduz o oxigênio dissolvido e aumenta o metabolismo dos peixes (eles passam a precisar de mais oxigênio);
Presença de surfactantes (indicando esgoto doméstico) - aumenta a carga orgânica na água.
Por consequência, o cenário provoca aumento da demanda bioquímica de oxigênio, favorecendo a proliferação de microrganismos que consomem ainda mais o oxigênio disponível.
O documento conclui, ainda, que a limitação de mobilidade da espécie, associada à falta de oxigênio na água "aumentam significativamente a vulnerabilidade da espécie, são fatores que podem ter justificado a mortandade concentrada observada".
Milhares de peixes são encontrados mortos no Rio Imaruim
Defesa Civil de Palhoça/Divulgação
VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias